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terça, 16 julho 2019 22:00

AS LUTAS DE MEGAN RAPINOE, DENTRO E FORA DE CAMPO Destaque

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Capitã da selecção campeã da Mundial sai contra as políticas de Trump e em favor das minorias e da igualdade salarial entre homens e mulheres no futebol.

Da bancada da CNN, no programa Anderson Cooper 360° , Megan Rapinoe foi instada pelo apresentador a mandar uma mensagem para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após um leve suspiro, olhou directamente para a câmera e deu seu recado: “Sua mensagem está excluindo as pessoas. Você está me excluindo. Você está excluindo pessoas como eu. Você está excluindo pessoas de cor. Você está excluindo americanos que talvez o apoiem”.

 

Esta é a co-capitã do Estados Unidos — divide o posto com Alex Morgan e Carli Lloyd —, uma das artilheiras do Campeonato do Mundo da França, autora de um dos golos da final contra a Holanda e eleita a craque do torneio. Títulos que lhe conferem moral suficiente para bater de frente com Trump e negar seu convite à Casa Branca, certo?

Não. Há anos Rapinoe bate de frente com quem quer que seja na defesa por igualdade. A dimensão tomada pelo Mundial feminino, que teve recordes de audiência pelo mundo e foi assunto na mídia e nas redes sociais por mais de um mês, só tem feito sua voz reverberar mais longe. Hoje, o planeta reconhece as madeixas levemente arroxeadas, concordando ou não com suas posições políticas.

A atacante, de 34 anos, decidiu que sua voz tinha potência após se assumir gay em 2012. Naquele ano, conquistara o ouro olímpico em Londres. Ali já se tornava uma das principais jogadoras da equipa, que venceria dois títulos mundiais seguidos, e a elevaria ao status actual.

Ganhou força para que sua declaração a um site voltado ao público gay fosse amplamente repercutida. Sua intenção era clara. Não se tratava apenas de um desabafo. Mas da pavimentação do caminho para que outros fizessem o mesmo.

“Sinto que os desportos em geral ainda são homofóbicos, no sentido de que poucas pessoas são assumidas. Eu sinto que todo mundo está realmente desejando que as pessoas se assumam. As pessoas querem — precisam — ver que há pessoas como eu jogando futebol pelos bons e velhos Estados Unidos da América”, afirmou na mesma ocasião em que também revelou seu namoro de um ano com a jogadora australiana Sarah Walsh.

Formada em sociologia e ciências políticas pela Universidade de Portland, a californiana de uma família de seis filhos — tem uma irmã gémea, Rachel —, não se importa em transformar a selecção em palanque. Antes mesmo da ascensão de Trump ao poder, lá estava ela repetindo o gesto do jogador de futebol americano, então no San Francisco 49ers, Colin Kaepernick.

Em 2016, ele se recusou a ficar de pé durante a execução do Hino Nacional americano em forma de protesto pelas mortes de negros pelas mãos de policiais. Rapinoe fez o mesmo durante um jogo da selecção. Foi repreendida e o acto proibido pela Confederação Americana de Futebol, a US Soccer.

Ela manteve o protesto de outra forma. Não canta o Hino Nacional nem coloca a mão no peito como as demais jogadoras.

“Eu não vivi excessos da polícia, discriminação racial, brutalidade policial, nem vi um membro da família morto na rua. Mas não posso ficar de braços cruzados enquanto há pessoas neste país que tiveram de lidar com isso. Eu posso entender se pensam que estou desrespeitando a bandeira ao me ajoelhar, mas é por causa de meu maior respeito pela bandeira e pela promessa que ela representa que escolhi demonstrar dessa maneira”, declarou à época.

Os posicionamentos de Rapinoe geram, claro, muita controvérsia. Nas redes sociais, ela é bombardeada com mensagens homofóbicas. Ou, no mínimo, quem admira seu futebol considera algumas atitudes desrespeitosas. Como não cantar o Hino.

Nada a melindra, no entanto. No Campeonato do Mundo afirmou que não seria possível ganhar um campeonato sem gays na equipa. “Isso jamais foi feito antes na história, nunca. Isso aí é ciência pura!”

O forte activismo a faz ser o famoso rosto do desporto na luta pela equidade de género e direitos LGBTQI+. Defende inúmeras organizações e foi homenageada por algumas delas. Recebeu prémio do Conselho de Administração pelo Centro de Gays e Lésbicas de Los Angeles, por se tornar uma atleta gay de alto nível e entrou para o hall da fama americano dos esportistas gays e lésbicas. Tem até um dia próprio em sua homenagem. Sua cidade natal, Redding, reconhece o dia 10 de Setembro como o Megan Rapinoe Day desde 2011, após o vice-campeonato mundial.

A militância ferrenha de Rapinoe abre caminho para a naturalização de ser gay num ambiente desportivo. Cenas como a da lateral Kelley O’Hara, que nunca se declarou publicamente homossexual, indo à arquibancada beijar sua namorada são fruto disso.

A luta de Rapinoe pela igualdade a faz transitar por diversas bandeiras. Há anos levanta uma das mais difíceis. Conseguir que as jogadoras da selecção tenham os mesmos ganhos financeiros que os homens. Apesar do tetracampeonato mundial, dos títulos olímpicos, da maior visibilidade e do maior lucro, elas ainda recebem menos que eles.

Segundo auditoria da US Soccer, de 2016 a 2018, a selecção feminina gerou US$ 50,8 milhões à confederação. No mesmo período, a masculina somou US$ 49,9 milhões. Mas elas receberam quase um terço a menos pelas vitórias. A bandeira virou caso de Justiça e elas entraram com acção por equiparação salarial.

O objectivo de Rapinoe é que a confederação americana replique práticas de países que estão na vanguarda desse movimento. Em 2017, a Noruega igualou os salários das selecções masculina e feminina. Para isso, dobrou a remuneração das mulheres e reduziu a dos homens — com a concordância deles. No ano passado, foi a vez de a Nova Zelândia igualar os salários de suas duas selecções.

Rapinoe quer ampliar agora apoios a sua causa. Ela aceitou o convite para visitar o Congresso e conversar com as democratas Nancy Pelosi e Alexandria Ocasio-Cortez. “É o momento de levar nossas questões a outros níveis”, afirmou.

Fonte: Época

 

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